Em agosto de 2017 a Prefeitura de Brejo fez aquisição de um
veículo para servir à Secretaria de Saúde. Com recursos próprios da
municipalidade, foi adquirido uma VAN, um dos mais completos da categoria,
reunindo amplo conforto com total segurança para os passageiros que podem
acomodar por vez.
O novo carro
beneficia aos pacientes do município que precisam se deslocar três vezes por
semana para serem submetidos à hemodiálise e que realizam tratamento fora do
domicílio.
Pacientes
de sete municípios, que precisam de hemodiálise no Maranhão tem sofrido com uma
rotina desgastante pela falta de clínicas no interior do Estado. Há pacientes longas
viagens para garantir a sobrevivência com o tratamento de hemodiálise em São
Luís, sendo que clínicas em cidades próximas já deveriam ser entregues.
Em Santa Quitéria, localizado a 430 quilômetros da capital, vive a
família do José Luís, de quinze anos de idade. A dona de casa Maria Silva
afirmou que a família está morando de favor na casa de parentes para obter o
tratamento dele. "Fico muito cansada. Porque eu vivo na casa alheia",
reclamou.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2018/s/c/S4BAqwTmqgrzmPCZfPAg/jose-luiz-hemodialise.jpg) |
José Luís mora de favor em casa de parentes porque não há clínicas próximas de sua casa, em Santa Quitéria (Foto: Reprodução/TV Mirante) |
Já
a dona Salvani relatou que a mudança para São Luís ocorreu porque não havia
condições de viajar entre Governador Luís Rocha e São Luís semanalmente. A
distância entre as cidades é de 404 quilômetros. Leonardo da Cruz, marido da
Salvani, afirmou que se mudou com a mulher e os quatro filhos mesmo sem
condições de pagar aluguel, água e luz; e que a Prefeitura da cidade dele
deixou de ajudar a família.
"A gente ficou numa casa de apoio e o prefeito atrasou a casa de
apoio. Então o dono da casa de apoio botou a gente pra fora", disse
Leonardo.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2018/X/G/MLAA4gRvWrOfKdxaVNQg/leonardo-hemodialise.jpg) |
Leonardo reclamou que a Prefeitura de Governador Luís Rocha deixou de ajudar a família a pagar casa de apoio em São Luís (Foto: Reprodução/TV Mirante) |
Enquanto
pacientes sofrem com as longas viagens, desde 2015 clínicas de hemodiálise em
sete cidades do Maranhão seguem sem inauguração. O Governo do Maranhão reservou
quase 7 milhões de reais para as obras e os contratos foram assinados em 2014,
mas nenhuma clínica foi entregue até hoje.
Em Pinheiro e São José de Ribamar as obras estão lentas. Já em
Chapadinha as obras ainda nem começaram. A obra deveria ter sido iniciada em
2014. O valor total da obra na cidade é de R$ 2.410.000,00 e o prazo de entrega
era de 180 dias. Mas até o momento só há placas no local.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2018/S/G/zwBGSXRliXKSHNPr8hBg/clinica-chapadinha.jpg) |
Apenas placas representam a obra da clínica de Chapadinha, que deveria ter sido iniciado em 2014. (Foto: Reprodução/TV Mirante) |
No
ano passado, o Governo do Maranhão divulgou nota prometendo iniciar a
construção das clínicas de Chapadinha, Coroatá, Santa Inês e Imperatriz no
mesmo ano. A Secretaria de Saúde também prometeu inaugurar pelo menos três
novos centros de hemodiálise.
Na época, Jane Araújo, chefe da Assessoria Jurídica da Secretaria de
Saúde do Maranhão alegou que as obras paralisaram por causa de adequações nos
projetos.
“Os projetos tiveram que ser revistos. A obra paralisou para adequar as
normas do Ministério da Saúde, adequar as normas da Vigilância Sanitária... e
nós estamos inaugurando três dessas clínicas na grande São Luís. Até o final do
ano vamos ofertar 111 novas vagas”, afirmou Jane em Junho de 2017.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2018/Q/J/6ANLSLRCGld0V2EQtn2w/nota-chapadinha.jpg) |
No ano passado, o Governo do Maranhão divulgou nota prometendo iniciar a construção das clínicas de Chapadinha, Coroatá, Santa Inês e Imperatriz no mesmo ano. (Foto: Reprodução/TV Mirante) |
As
obras seguem paradas e há paciente que morreu durante o período. A dona Eloísa
passou seis anos viajando de Chapadinha até São Luís para fazer hemodiálise.
Ela saía de casa com o marido perto das quatro da madrugada pra viajar até a
capital e voltava cansada por volta das dez da noite.
Em dezembro, Eloísa passou mal em São Luís, não conseguiu vaga em
hospitais e ficou em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) que, por uma
semana, não tinha máquina de hemodiálise. Como ela não podia ficar tanto tempo
sem o tratamento, acabou morrendo.
O lavrador e marido de Eloísa, Arlindo Silva, contou que ela não
morreria se a clínica prometida tivesse sido inaugurada em Chapadinha. "Umas
cinco máquinas resolveria. Sem precisar viajar tanto”, afirmou o lavrador.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2018/2/2/6me6I3Tn6Qjy71SzwVzQ/eloisa-e-marido.jpg) |
Eloísa e o marido precisavam viajar de madrugada para São Luís em busca do serviço de hemodiálise. (Foto: Reprodução/TV Mirante) |
Os que ainda resistem a essa rotina convivem com o perigo de
viajar com transporte em péssimo estado. Um micro-ônibus de Chapadinha está com
o para-brisa quebrado e, segundo os pacientes, vive no prego.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2018/H/c/EKFlhSTteEyWQK28eREw/micro-onibus-quebrado.jpg) |
Pára-brisa de micro-ônibus que leva pacientes de Chapadinha para São Luís está quebrado (Foto: Reprodução/TV Mirante) |
O Governo do Estado deu um novo prazo para resolver o
problema e informou que as clínicas serão inauguradas a partir de setembro de
2018, mas não deu uma data definitiva. Sobre a van em mau estado, a Prefeitura
de Chapadinha informou que faz manutenção constante no veículo, mas que há
desgaste em um veículo que roda 3 mil quilômetros por semana.
Com informações do G1/ edição deste Blog.