domingo, 5 de agosto de 2018

CONHEÇA A HISTÓRIA DE SÃO JOÃO DOS PILÕES EM BREJO-MA

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Por: Pedro Portela
O Povoado São João dos Pilões, no município de Brejo, Maranhão, localizado na rodovia MA - 034 a 22 km da sede, expressa sua identidade através do artesanato em madeira torneada. 
A antiga comunidade ‘Panela de Ferro’ passou a ser chamada de ‘São João dos Garretos’ por conta dos novos moradores portadores deste sobrenome. E a denominação atual do povoado foi adotada naturalmente por causa da atividade artesanal que seus habitantes passaram a desenvolver.

A formação da comunidade se dá na década de 1940 e o seu povoamento acontece na primeira metade da década de 1960 quando é feita a construção da rodovia que liga o leste maranhense à capital. Os pioneiros foram os casais: José Ventura e Deusita, Gonzaga e Alzira, Manoel Cassote e Maria, e Manoel Luís e Maria do Carmo. 
A abertura da estrada atraiu muitas famílias para o lugar e várias moradias foram construídas às margens da rodovia. Chegaram: Antônio Joaquim Garreto e Ovídia Teixeira de Carvalho, Francisco da Silva Santos (Garrote) e Maria da Conceição Garreto Santos, Marcelino Cândida e Expedita Maria da Conceição, Raimundo Joaquim Garreto (Ceguinho) e Maria Rodrigues.
Nesse período, a Professora Deusita Cardoso lecionava num barracão, onde funcionava o curso primário do Projeto João de Barro. E à noite funcionava o Mobral (Alfabetização de Adultos), tendo Itelvino Santos Silva como professor por oitos anos.
O artesanato em madeira começou a ser desenvolvido ainda nas décadas de 1940/1950. Os pioneiros dessa atividade foram Antônio Joaquim Garreto (Antônio Alexandre), Serafim Pinto Lopes, Antônio Coco, Camuengo, Francisco Pinto Lopes (Chico Zezinho), e Raimundo Pinto Lopes (Raimundo Zezinho). Mas apenas Antônio Alexandre e Serafim Pinto Lopes permaneceram no ofício e passaram os conhecimentos para seus descendentes.
No início, a atividade exigia muita mão de obra. O torno era manual e muito rústico: um banco de madeira com um espaço vazio no meio. Duas varas eram fincadas nas cabeceiras por onde era esticada uma corda. A peça de madeira a ser trabalhada era presa por duas toras sobre o banco e era laçada por uma corda puxada pelo pé do artesão para fazer a peça girar. Era um trabalho cansativo.
A primeira peça produzida foi um pilão pequeno, para pisar tempero. Depois, o pilão grande para pisar arroz, milho, café, coco... A estrada pronta facilitou o deslocamento dos viajantes. E Antônio Gameleiro, afamado na arte de produzir utensílios de madeira, hospedou-se na residência de Antônio Joaquim Garreto (Antônio Alexandre). E constatando que os artesãos locais fabricavam apenas pilões, resolveu demorar mais tempo na comunidade e ensinou-os a produzir belas gamelas.
Na administração do Prefeito José Leônidas de Freitas Martins Costa (1977-1982), Itelvino dos Santos Silva – genro de Antônio Alexandre, nomeado Professor do Mobral pela Primeira-dama Maria do Socorro Carvalho, participou de um treinamento na sede do município. Pediram-lhe que apresentasse um trabalho de arte. E como artesão, ele apresentou uma gamela bem trabalhada. A demonstração recebeu muitos elogios e causou grande repercussão.
Em 1981, os artesãos de São João dos Pilões foram convidados a expor seus produtos numa Feira de Artesanato na capital. O evento aconteceu na Praça Deodoro e serviu de vitrine. A partir daí a comunidade teve espaço garantido nas exposições.
A comunidade, ao longo de décadas, vivenciou alguns conflitos de terra. Mas o Prefeito Tonico Nunes, no seu primeiro mandato (1983-1988), conforme prometera na campanha, desapropriou uma grande área à margem da rodovia e muitas famílias foram contempladas com os lotes onde puderam construir suas residências e se estabelecer no povoado.
Em 1985, com a implantação da eletricidade na comunidade, chega o piauiense Valdir Carvalho Sampaio com o intuito de trabalhar na agricultura. Porém, percebendo que o artesanato lhe traria melhores rendimentos, resolve comprar um torno elétrico e contratar alguns operários. Isso deu grande impulso na produção de artesanato. Em pouco tempo, outros artesãos também modernizaram o processo de produção. E passaram a fazer uso do motosserra, o que agilizou ainda mais o corte da madeira.
A modernização facilitou a produção artesanal, fez surgir uma variedade enorme de peças e ampliou a comercialização. 
Em 2004, o SEBRAE iniciou um trabalho na comunidade com educação empreendedora, capacitação, estruturação e consultoria de design. Foi criada uma associação de moradores com o objetivo de fortalecer o trabalho dos artesãos. Foi lançada a ideia do reflorestamento das áreas degradadas para garantir a produção das espécies vegetais que servem de matéria-prima, como Sucupira, Pequi, Jaca, Fava-Danta, Imburana e Barbatimão. E as barracas (ponto de venda dos produtos) foram padronizadas.
Infelizmente os sojicultores devastaram a chapada com o uso de correntões que são arrastadas por tratores e arrancam as árvores pela raiz. E o cerrado que era de uso comum para a utilização da madeira para o artesanato, para a criação de gado e para a extração de frutos e ervas medicinais perdeu a sua utilidade para os moradores da comunidade.
O uso dos recursos florestais para o artesanato era feito de forma sustentável, visto que a retirada da madeira era com uso do machado que favorecia o reflorestamento.
Para continuar na atividade artesanal os moradores de São João dos Pilões são obrigados a comprar madeira em outras comunidades, o que tem dificultado o seu trabalho e diminuído os lucros.
Fonte: Sebastiana Ivanilde Garreto Silva (Homem artesão: uma valorização do trabalho enquanto produção cultural).
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